quarta-feira, 19 de março de 2025

Emergências cardíacas e neurológicas: Saiba quando procurar atendimento

 


Consumo exagerado de álcool, desidratação, noites mal dormidas e calor intenso podem afetar coração e cérebro, mesmo em jovens.







Se sintomas simples como cansaço, dor de cabeça, tontura e queda de pressão fossem mais do que sinais de um mal-estar passageiro? Especialmente em casos neurológicos e cardiológicos, quadros graves podem apresentar sinais horas ou dias antes de se manifestarem. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que analisou as causas de morte de 2002 a 2019 em nível mundial, as doenças cardíacas lideram as estatísticas de óbitos, seguidas pelo acidente vascular cerebral (AVC). Dados alarmantes que enfatizam o risco de sintomas aparentemente inofensivos, como os de uma ressaca — muitas vezes negligenciados —, que podem indicar doenças graves. 


Como os sintomas surgem?

Desidratação, queda de pressão e tontura são sintomas comuns, causados, por exemplo, por exposição ao calor ou consumo excessivo de bebidas. No entanto, também podem ser sinais de alerta para problemas mais graves. Saber diferenciá-los é essencial para reconhecer a necessidade de buscar atendimento médico.

“Ao ingerir grandes quantidades de bebida alcoólica, os efeitos surgem de forma gradual. Quanto maior o consumo, mais intensos se tornam. Já em um problema grave, a palavra-chave é ‘súbito’, porque os sintomas surgem repentinamente”, explica a neurologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Jamileh Chamma.

Essa diferença entre o surgimento progressivo e abrupto dos sintomas pode ser determinante para a busca de ajuda médica. Perda de força, alterações na sensibilidade ou visão, tontura e vômitos persistentes devem ser levados a sério, especialmente se aparecerem de repente. “Não dá para ficar em casa achando que é apenas uma ressaca ou um mal-estar passageiro. Somente um médico, por meio de um exame clínico e do histórico do paciente, pode diferenciar os sintomas com precisão e iniciar o tratamento adequado”, enfatiza Jamileh.

Outros fatores, como calor intenso, alimentação irregular, hidratação insuficiente e privação de sono, também podem afetar a pressão arterial e aumentar o risco de eventos graves. “Os exageros nunca são recomendados, seja com bebidas, festas, noites mal dormidas ou alimentação inadequada. Isso tudo pode comprometer a saúde, principalmente quando combinado”, alerta a neurologista.

Quando procurar um pronto atendimento?

A rapidez no atendimento pode mudar completamente o desfecho de casos neurológicos, como um AVC. “Costumamos dizer que o tempo para a intervenção médica deve ser sempre o menor possível, pois cada minuto importa. A janela ideal para tratamento é de até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Nesse período, as intervenções médicas ainda podem minimizar ou até reverter possíveis danos cerebrais”, reforça Jamileh.

O mesmo vale para doenças cardíacas. As dores no peito, muitas vezes atribuídas à ansiedade ou ao esforço físico, nunca devem ser ignoradas. “Não é normal ter dor no peito. Na dúvida, sempre busque avaliação médica, pois pode ser um infarto”, orienta o cardiologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Gustavo Lenci.

Outros sinais também indicam perigo. O calor e a agitação, por exemplo, são alguns fatores que podem causar desconforto passageiro, mas, se houver dificuldade para respirar com esforços mínimos, como ao caminhar curtas distâncias, é um sinal de alerta. “Se a pessoa se sente ofegante mesmo ao realizar pequenas atividades, deve procurar atendimento”, explica Gustavo.

Outro indicativo de que pode ser o momento de procurar um pronto atendimento é o inchaço corporal, que tem diversas causas, mas, quando vem acompanhado de dificuldade respiratória, pode indicar insuficiência cardíaca. “Diversas situações podem causar inchaços. Existem, por exemplo, pacientes que têm varizes ou insuficiência venosa, que fazem com que sintam uma sensação de queimação nas pernas aliada ao inchaço”, comenta. “No entanto, se pés e pernas inchados estiverem associados a outros sintomas, como falta de ar, há grande probabilidade de ser um problema cardíaco mais sério”, complementa o cardiologista.

Escute os sinais do seu corpo

Para muitas pessoas, o receio de estar exagerando faz com que evitem buscar ajuda médica. No entanto, se um sintoma gera incômodo ou dúvida, a avaliação profissional é sempre recomendada. “Procurar atendimento médico pode ser a diferença entre um simples susto e um problema grave. Quanto mais cedo a avaliação for feita, maiores as chances de evitar complicações e garantir um tratamento eficaz”, indica Gustavo.

Especialistas orientam, ainda, que mesmo em casos nos quais esses sintomas são passageiros, procurar um especialista é sempre a melhor opção. “Mesmo que os sintomas desapareçam sozinhos, isso não significa que o problema tenha sido resolvido. Episódios transitórios podem ser um alerta de algo mais grave está por vir, e a busca por atendimento pode prevenir sequelas permanentes”, conclui Jamileh.



FONTE DE PESQUISA:  https://www.noticiasaominuto.com.br/lifestyle/


segunda-feira, 3 de março de 2025

Febre amarela e dengue causam quadros de hepatite

 

O vetor da dengue é o Aedes aegypti. Na febre amarela silvestre, os responsáveis pela transmissão da doença são os mosquitos dos gêneros haemagogus e sabethes





Com o aumento de casos de dengue e a febre amarela, os cuidados precisam ser intensificados. Em comum, um dos órgãos afetados pelas doenças é o fígado: o paciente pode desenvolver uma hepatite que, nos casos graves, é fulminante. Nas outras arboviroses, como chikungunya e zika vírus, o acometimento é menos comum.

O vetor da dengue é o Aedes aegypti. Na febre amarela silvestre, os responsáveis pela transmissão da doença são os mosquitos dos gêneros haemagogus e sabethes.

D e acordo com Marcelo Neubauer, infectologista e professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas, na dengue, o fígado é acometido em níveis de gravidade maior ou menor. Geralmente, é leve e sem importância clínica, a não ser que a doença tenha evoluídra o para a forma grave.

"Inclusive uma das gêneses da forma hemorrágica da dengue, além de uma doença vascular, você tem uma doença hepática também, porque os fatores de coagulação são produzidos pelo fígado e se houver uma lesão um pouco mais séria, você vai ter uma perda desses fatores. Mas é transitório. Normalmente, na dengue, a hepatite não deixa sequelas. Só na dengue grave", afirma o infectologista.

Marcio Almeida, coordenador de Hepatologia da Rede D'Or São Paulo, explica que na dengue há uma ativação do sistema imune do paciente que, na tentativa de matar o vírus, afeta alguns órgãos, inclusive o fígado.

O outro mecanismo é a falta de oxigênio no fígado devido ao extravasamento de líquidos e queda da pressão. "O indivíduo acaba entrando em choque. A pressão baixa e muitas vezes ele necessita de drogas para mantê-la alta. Isso diminui o aporte de oxigênio para os órgãos, no caso, o fígado", diz Almeida.

Na febre amarela, a complicação é maior. O vírus invade o órgão, onde se replica, e destrói as células hepáticas. O risco é de hepatite fulminante e morte.
"TGO e TGP são duas substâncias que estão dentro da célula do fígado. Quando a célula é destruída, essa substância é eliminada na circulação. Ao colher o sangue, a gente vê que a quantidade dessa substância aumentou", afirma Neubauer.

"Em uma pessoa saudável, eu espero que a TGO e a TGP estejam até mais ou menos 50 unidades. Na dengue, mesmo nas formas mais graves, vai a 300, 400. Agora, na febre amarela, vai a 5, 6, 7 mil. Ela sobe e de repente cai de uma vez no momento em que o paciente não tem mais fígado para ser destruído", explica Neubauer.

Quando a hepatite é reversível -mais comum na dengue- a recuperação se dá em algumas semanas. Na febre amarela, o risco de complicação é maior. Em 2025, 13 pessoas morreram de febre amarela no estado de São Paulo.

"No último surto, chegamos até a ter casos de indicação de transplante. Juntamos os dados nacionais e o resultado foi catastrófico. Por se tratar de uma doença que o vírus está no corpo inteiro, para alguns pacientes, o que chama mais atenção é a manifestação hepática. O quadro é uma hepatite fulminante. Tentamos fazer o transplante em alguns casos, mas, na maioria deles, o vírus -como ainda estava circulante- destruía o fígado transplantado", comenta o hepatologista.

SINTOMAS E SINAIS DE ALARME NA DENGUE E FEBRE AMARELA

Febre alta (acima de 38º e de início repentino), prostração, mal-estar, manchas vermelhas pelo corpo, dores musculares, nas articulações, de cabeça e atrás dos olhos são os principais sintomas da dengue.

Os sinais de alarme para a gravidade são dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), hipotensão postural (queda da pressão arterial ao levantar-se da posição sentada ou deitada), sensação de desmaio, letargia e/ou irritabilidade, aumento do tamanho do fígado, sangramento de mucosa.

Na febre amarela, os sintomas são febre súbita, calafrios, dor de cabeça intensa, dores musculares e no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Segundo o Ministério da Saúde, 15% dos pacientes, em média, apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e depois desenvolvem a forma grave da doença.

No agravamento do quadro pode ocorrer febre alta, hemorragia, pele e olhos amarelados (icterícia), choque e insuficiência de múltiplos órgãos. O índice de morte varia de 20% a 50%.



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Potássio Baixo: sinais preocupantes que muita gente ignora

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